A Guerra civil angolana e suas diversas faces

O jornalista angolano Orlando de Souza Castro, atento observador do conflito travado em sua terra natal e profundo conhecedor da UNITA, fala sobre a luta em Angola.

Parte I

1 – Primeiramente, quais eram, exatamente, os grupos de interesse na guerra em Angola?

Orlando Castro - Por razões óbvias, falar da minha terra, Angola, é sempre um prazer... Apesar do drama que nela se continua a viver. Devo, igualmente, alertá-lo para o fato de estar transmitindo opiniões, ou conhecimentos, pessoais que penso serem verdadeiros mas que, é claro, são questionáveis pois não sou, nem eu nem ninguém, dono da verdade. Acrescento, ainda como introdução, que a prova final para as muitas questões que você levanta poderá ser conhecida em breve, ou seja, logo que a UNITA se reencontre e estabilize, como é desejo do meu grande amigo (e companheiro) Paulo Lukamba Gato, o secretário-geral da UNITA, braço direito de Jonas Sabimbi e líder da Comissão de Gestão em Luanda. No contexto da Guerra Fria, americanos e russos. Razões políticas e econômicas sustentavam as intervenções dos dois blocos que, para tanto, utilizavam os países vizinhos para comandar as ações no terreno. Do ponto de vista político era a luta contra e a favor do comunismo. Em termos econômicos a interferência residia nas riquezas de Angola, nomeadamente no petróleo e nos diamantes. Recorde-se que, em Cabinda (território ilegalmente anexado por Angola) os americanos que exploravam o petróleo chegaram a estar protegidos por guarnições militares cubanas.

2 – Quais foram as reais dimensões do envolvimento cubano, soviético e do bloco comunista em apoio ao MPLA, durante os anos 80?

OC - O envolvimento comunista (cubanos, soviéticos, romenos etc.) foi grande mas, de fato, só foi decisivo no curso da guerra porque a URSS acabou. Tivesse a Guerra Fria continuado durante mais alguns anos e há muito que a UNITA já estaria em Luanda. Reconheça-se, no entanto, que os militares comunistas foram essenciais para o MPLA travar a progressão da UNITA a caminho da capital. Aliás, já na segunda metade da década de 70 tinham sido importantes para travar a tomada de Luanda pelas forças da UNITA e da FNLA com o apoio dos sul-africanos e de muitos militares portugueses, dos quais o mais destacado foi o tenente-coronel Comando, Santos e Castro.

3 – Quais as conseqüências do envolvimento comunista? E as baixas sofridas pelas forças comunistas estrangeiras em Angola?

OC - As conseqüências foram sobretudo o endividamento de Angola perante Cuba e a dilapidação de muitas riquezas que foram carregadas para Havana, desde carros a mármore roubado dos cemitérios deixados pelos portugueses. Angola continua hoje, como vai continuar por muito mais tempo, a pagar a fatura da presença cubana, sobretudo desta. Os cubanos tiveram poucas baixas na guerra em Angola, e os russos ainda menos pois eram mais conselheiros militares que tinham o quartel-general nos hotéis de cinco estrelas... de Luanda! Até mesmo no histórico e sangrento confronto de Mavinga (1987) os cubanos estavam longe das frentes de batalha e utilizavam sobretudo aviação para atacar. A “carne para canhão” era a dos angolanos, era a dos soldados das FAPLA. E quando viam que as batalhas estavam perdidas eram os primeiros a recuar.

4 – São procedentes as informações segundo as quais, em meados de 1988, estariam em solo angolano 50 mil soldados cubanos, 1.500 soviéticos, além de número indeterminado de alemães-orientais e norte-coreanos? O aparato comunista em Angola era apenas defensivo, ou o sr. acredita que havia ambições em relação a países vizinhos, como Zaire e Namíbia? Na época (1988), foram publicadas informações que davam conta da captura de prisioneiros cubanos pela UNITA, mais especificamente, pilotos de um caça MiG abatido. Qual era o procedimento da UNITA para com os prisioneiros capturados? Segundo informes do general cubano Rafael Delpino, que fugiu de Cuba em 1986, milhares de soldados cubanos teriam desertado durante a luta em solo africano. O sr. possuí informações à respeito?

OC - Creio que em 1988 estariam estacionados em Angola bem mais do que 50 mil cubanos, 1.500 soviéticos, além dos alemães-orientais e norte-coreanos. É claro, pelo menos para mim, que os objetivos eram muito mais amplos. Angola foi o motivo ideal e legal (?) para os comunistas entrarem na África. Legal por ter sido solicitado por um governo reconhecido por muitos países, ideal porque iria permitir levar a foice e o martelo aos principais países vizinhos ao sul do continente. A UNITA fez prisioneiros de diversas nacionalidades, e não foram dois, mas pelos menos seis os pilotos de MiGs capturados. Todos os estrangeiros detidos pela UNITA eram tratados como prisioneiros de guerra e dentro do respeito pelas convenções internacionais. A exceção, para um melhor tratamento, dizia respeito aos cidadãos portugueses capturados em combate. É claro que, num contexto de guerra, as condições de detenção não eram as melhores, tal como não eram para os próprios militares das FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola, o braço militar da UNITA). Isso não impede que tenham sido tratados com o respeito pelos direitos humanos devidos a prisioneiros de guerra, mesmo que mercenários. Quase todos os prisioneiros estrangeiros foram entregues a organizações não-governamentais estrangeiras para que fossem repatriados aos seus países de origem. Sobre os desertores cubanos, que de fato foram muitos, só lhe posso dizer que oportunamente a UNITA vai divulgar documentos e provas de grande impacto...

Pilotos cubanos (braços cruzados) capturados pela UNITA durante combates em Angola, 1988. (Reuters )

5 – Segundo consta, durante os anos de 1987-88 violentas batalhas foram travadas no sudeste angolano, próximas da base da UNITA em Mavinga. Como se deram essas batalhas? São verdadeiras as informações segundo as quais se não fosse a intervenção de comandos sul-africanos e de artilharia de longo-alcance, a UNITA teria sido derrotada decisivamente na ocasião?

OC - A batalha de Mavinga, como muitas outras em todo o território angolano, desenrolou-se de uma forma convencional já que, nessa época, as FALA tinham poder bélico e estrutura de comando operacional de um exército convencional. Só lhe faltava força aérea. Assim sendo, com estruturas de combates similares (a Força Aérea de Luanda, tripulada por cubanos, não participava ativamente da luta pois temia a resposta da aviação sul-africana), a UNITA tinha a seu favor o fato de conhecer o terreno e de ter os seus principais generais na frente de combate, ao contrário das FAPLA que tinham os seus comandantes (sobretudo russos e cubanos) comandando da retaguarda. O MPLA foi derrotado, tanto em Mavinga quanto em outras áreas do país, pelas FALA e não pela força humana ou material dos sul-africanos. No caso de Mavinga, os sul-africanos só ameaçavam os pilotos cubanos: “se vocês vierem para está zona nós vamos atacá-los”. Os cubanos não foram (é um mito a valentia militar dos cubanos) e, em terra, as FALA deram conta do recado.

(Na segunda parte do artigo, o jornalista Orlando Castro descreve o apoio brasileiro ao MPLA, como a UNITA foi traída por seus antigos aliados, a importância de Jonas Savimbi na luta contra o comunismo, sua morte, e o futuro de Angola).

Parte II

Nesta última parte da entrevista com o jornalista angolano Orlando de Souza Castro, são revelados mais detalhes da longa guerra travada em Angola, o apoio recebido pela UNITA, as relações da guerrilha com os Estados Unidos e a África do Sul, a participação brasileira no conflito, e os rumos da organização guerrilheira após a morte de seu líder máximo.

1 – Qual era o apoio externo da UNITA?

OC - A UNITA teve durante anos o apoio direto e indireto dos EUA que, para isso, utilizavam a África do Sul, o Zaire, Zâmbia, Marrocos, etc. para fazer chegar o material bélico necessário. Depois do afastamento americano, a UNITA utilizou os diamantes para fazer amigos onde fosse possível.

2 – Se Jonas Savimbi era um homem rico como chegou a ser noticiado pela mídia, como acabou sendo morto no meio da mata, em Angola? O Sr. concorda que a mídia internacional esteve sempre contrária a UNITA? Por que isso ocorreu? Por que Savimbi era muitas vezes apresentado como líder de um “movimento terrorista, um assassino e mercenário”?

OC - Os meios financeiros da UNITA resultavam essencialmente dos diamantes e destinavam-se quase exclusivamente a sustentar o enorme esforço de guerra. Savimbi nunca foi um homem rico, nunca investiu em bens no exterior de Angola. O que Savimbi tinha, como presidente da UNITA, era gasto para manter a estrutura militar e para garantir a sobrevivência dos dirigentes políticos colocados no exterior, principalmente na Europa. Mas não foi por isso que Savimbi morreu na mata. Morreu na mata porque sempre se recusou a abandonar o navio quando este começou a afundar. Recebeu, aliás, diversas ofertas (inclusive provenientes de Portugal) para que deixasse a região. Falei com ele no início de fevereiro deste ano, dando-lhe a indicação de que uma equipe luso-angolana estava pronta para ir resgatá-lo na fronteira ou, até mesmo, dentro de Angola. A resposta foi simples: “Não saio de Angola e se tiver de morrer morro aqui aos pés dos meus homens”. É claro que a mídia internacional esteve sempre contra a UNITA, como é claro que Jonas Savimbi sempre foi apresentado como líder de um “movimento terrorista, um assassino e mercenário”. Para esses mesmos “jornalistas”, Fidel Castro é um democrata e defensor dos direitos humanos. Foi fácil, barato e rendeu muitos milhões dizer o pior de uma organização e de um líder que lutou contra o imperialismo comunista e que morreu ao lado dos seus soldados. A propaganda comunista fez tudo, não só no caso de Angola, afirmando que o MPLA era formado de “santos” e que a UNITA era composta de “demônios”. A História, tal como a realidade do mundo, acabou por provar que, afinal, o comunismo tinha de ser erradicado da face da terra. Ainda não o foi na totalidade. No entanto, em Angola, foi derrotado. E sendo derrotado em Angola não conseguiu triunfar na África. E quem o derrotou em Angola? A UNITA e Jonas Malheiro Savimbi.

3 – Como foi a atuação de Portugal durante os anos de conflito?

OC - A atuação de Portugal durantes os anos de conflito foi, apesar das mudanças partidárias dos governos de Lisboa, um desastre. Durante muitos anos os comunistas tiveram força em Portugal, mesmo não estando no governo. E, tal como aconteceu em 1975, tudo fizeram para que os seus amigos do MPLA tomassem conta de tudo. Dessa forma, desde a independência da República Popular de Angola (11 de novembro de 1975) e até hoje, Portugal esteve sempre ao lado do MPLA e nunca da República Democrática de Angola proclamada na mesma data, pela UNITA e pela FNLA em Nova Lisboa (Huambo). Portugal refugiou-se nas relações de Estado a Estado para favorecer as relações e apoios ao MPLA. Só o CDS/PP manteve sempre uma posição diferente a ponto de um de seus presidentes, Manuel Monteiro, ter visitado Savimbi em Jamba.

4 –  Qual a realidade das eleições angolanas de 1992 (onde a UNITA foi acusada de recomeçar a guerra civil, suspensa desde 1990)? A UNITA foi traída pelos seus antigos aliados?

OC - As eleições presidenciais de 1992 permitiram, o que aliás não é de se espantar num país em guerra e com milhões de refugiados, ao poder instituído (no caso, o do MPLA) manipular resultados. Manipular pela intimidação, pela chantagem e, é claro, pelo apoio logístico e técnico da comunidade internacional, onde se inclui Portugal. A UNITA convenceu-se, erradamente, que os angolanos já eram livres para escolher. Isso não aconteceu. Os angolanos foram em grande parte obrigados a votar livremente... no MPLA. E Eduardo dos Santos só não venceu, no melhor estilo africano, como mais de 95% dos votos porque isso “daria muito na cara”... A UNITA foi traída porque deixou de ter interesse estratégico para os EUA. Com o fim da URSS, estando a Rússia mais preocupada em alimentar o seu próprio povo, os americanos votaram-se para o MPLA que lhes dava as mesmas, ou até mais, garantias de subserviência a um custo muito menor. Os outros antigos aliados, que o diga Mobutu (Mobuto Seko, falecido ex-ditador do Zaire) foram igualmente forçados a “puxar o tapete” de Savimbi. Quem determinava (será que ainda não determina?) as regras do jogo eram os EUA. Quando eles decidiram que Savimbi havia passado de “bestial” para “besta”, todos os outros seguiram seu exemplo.

5 – O senhor afirmou que a derrota da UNITA foi provocada pela retirada do apoio norte-americano. Baseado nisso, pergunto: a) Qual era o montante da ajudar norte-americana? Essa ajuda era material e financeira, ou incluía também o envio de assessores militares? b) Na hipótese do governo dos Estados Unidos ter continuado com um presidente republicano, e não tivesse passado às mãos de um democrata como o presidente Clinton, o sr. acha que o destino da UNITA teria sido diferente?

OC - Não sei qual era o montante da ajuda norte-americana a UNITA. Confirmo que era ajuda militar e financeira e não incluía assessoria militar direta para as ações em solo angolano. Isso não exclui a possibilidade de colaboração estratégica fora da fronteiras angolanas que certamente seria de enquadramento teórico. É evidente que se o governo dos Estados Unidos tivesse continuado com um presidente republicano, posto que a ajuda a UNITA, na década de 80, foi concedida durante o mandato do presidente republicano Ronald Reagan, e não tivesse passado às mãos de um democrata oportunista como Clinton, o destino da UNITA teria sido diferente. Nunca os republicanos “puxariam o tapete” de um amigo e, muito menos, o apunhalariam pelas costas. Isso foi dito diretamente a Savimbi, na Casa Branca, por George Bush (pai).

6 – Qual era a receptividade de Jonas Savimbi junto aos norte-americanos, mesmo levando em conta que o governo dos EUA abandonou a UNITA? A posse de George W. Bush mudou alguma coisa?

OC - Mesmo para George W. Bush, Angola já não era uma prioridade. Os EUA tinham outras estratégias e a administração norte-americana tinha a máquina montada (pelos democratas) para dar mais oportunidades ao MPLA. De qualquer maneira, os EUA estão desempenhando um papel relevante nesta nova fase da vida angolana, procurando redimir-se da traição a UNITA. O próprio presidente Savimbi já havia previsto há muito tempo, que os norte-americanos (que sempre considerou amigos) iriam mais cedo ou mais tarde abandonar a UNITA. Veremos como se comportarão no futuro.

7 – Como eram as relações de Jonas Savimbi com o governo sul-africano? A ajuda sul-africana a UNITA era realmente tão forte quanto dizem? É verdade que muitos militares sul-africanos que lutaram ao lado da UNITA, nos anos 80, posteriormente tornaram-se mercenários e passaram a lutar pelo MPLA?

OC - As relações do Dr. Savimbi com o governo Sul-africano eram as normais entre dois vizinhos que, por razões estratégicas, comungavam dos mesmos objetivos embora tivessem visões diferentes da sociedade. O objetivo comum era derrotar o comunismo e, por isso, uniram esforços para o aniquilar. No resto, em quase todo o resto, tinham visões diferentes. O auxílio sul-africano, no contexto referido, foi importante. Primeiro na tentativa de chegar a Luanda, em 1975. Depois, na criação de um tampão no Sul que fornecesse cobertura à Jamba (a capital da UNITA), contra incursões da força aérea cubana. Tirando a incursão pesada de 1975, nunca mais a África do Sul teve um expressivo número de militares lutando ao lado das FALA. A alteração política na África do Sul fez com os militares que serviram em Angola fossem acusados de traição e, por isso, tiveram de escolher entre ser mercenários bem pagos ou continuarem a lutar pelos seus ideais. Os primeiros foram para as FAPLA e os segundos, poucos, ficaram ao lado das FALA.

8 – O senhor possui informações sobre a participação de mercenários brasileiros na luta, ao lado das FAPLA? O governo brasileiro sempre manteve uma postura favorável ao MPLA, e durante muito tempo surgiram rumores no sentido de que apoio militar foi fornecido ao governo de Luanda, inclusive apoio direto.

OC - Sim, é verdade que o Brasil sempre foi um grande apoiador do MPLA. Também é verdade que mercenários brasileiros lutaram (e alguns morreram) ao lado das FAPLA, assim como é verdade que Eduardo dos Santos tem vários assessores brasileiros, e que o Brasil forneceu equipamentos militares ao governo de Luanda.

9 – Qual era a real orientação ideológica de Jonas Savimbi? Fazendo uma comparação entre os dois lideres envolvidos no conflito, Savimbi e dos Santos, o que o sr. teria a dizer sobre ambos?

OC - Socialismo africano? Será que isso existe? Definir um líder africano segundo os padrões ideológicos ocidentais é errado. Creio que ele, apesar da forte influência chinesa, pretendia implantar em Angola algo entre o socialismo e a social-democracia, com forte respeito e incentivo pelas tradições das muitas etnias do país mas sem esquecer a importância da economia de mercado. Daí o socialismo africano. Há cerca de 27 anos, na então cidade de Nova Lisboa (Huambo), perguntei ao presidente Savimbi como é que ele definia a UNITA e a luta que travava em prol dos angolanos. Savimbi disse-me: “Há coisas que não se definem – sentem-se”. É exatamente isso. Jonas Malheiro Savimbi, quer pela estatura moral, formação humanista, capacidade de liderança quer pelo amor à sua terra... não se define, sente-se. José Eduardo dos Santos é o oposto. Não passa de corrupto pigmeu que está rodeado por mercenários que o tratam como se fosse um gigante. E ele acredita.

10 – Para finalizar, qual o destino da UNITA após o assassinato do Dr. Savimbi, e o que foi feito com seu corpo? Ele deixou família? Filhos?

OC - Savimbi morreu mas, importa destacar, o projeto político da UNITA para Angola continua vivo e com saúde. Não há, aliás, nenhuma forma de o matar... enquanto existirem angolanos. A UNITA será agora, como era desejo do presidente Savimbi manifestado meses antes de sua morte, um partido que vai assumir a sua responsabilidade na condução dos destinos de Angola. A tarefa não é fácil mas nada na vida da UNITA foi fácil. Será um outro tipo de guerra na defesa da democracia, do respeito pelos direitos humanos e pela dignidade dos angolanos, coisa que não foi feita até agora pelo MPLA. O corpo (o espírito está em toda a parte, mesmo fora de Angola) do presidente Savimbi está num humilde cemitério de Luena. Até agora, José Eduardo dos Santos esqueceu-se que com a morte de Jonas Savimbi, a África perdeu um dos seus mais importantes filhos, cuja vida e obra o situam na senda dos arautos da História africana como N’Khumahn, Amílcar Cabral, Senghor… fazer esquecer que, fiel aos princípios que sagrados que nortearam a criação da UNITA, o Dr. Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida. A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.

Fisicamente o presidente Savimbi morreu. Fisicamente o presidente Savimbi foi humilhado. Mas uma coisa é certa: não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar. Jonas Savimbi continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar. É para isso que existiu, existe e existirá a UNITA.

Na trilha de uma ancestral tradição, Savimbi tem muitos filhos (alguns foram, inclusive, raptados pelo regime de Luanda). Mas, mais do que os filhos biológicos, Savimbi foi o Pai, é o Pai, de muitos milhões de angolanos.

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